
28ª edição dos Festivais Gil Vicente em Guimarães começa esta quinta-feira, 04 de junho
Durante duas semanas, há teatro para todos os gostos com uma programação que reúne no cartaz o que de melhor se faz em Portugal. E há também uma série de atividades paralelas.
Os Festivais Gil Vicente 2015, que decorrerão até ao dia 13 de junho, têm início já esta quinta-feira, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, com a peça de Dinarte Branco e Nuno Costa Santos, “I Don’t Belong Here”, um projeto artístico sobre a problemática da deportação. Em palco vão estar homens e mulheres que foram expulsos dos EUA e do Canadá, depois de terem cumprido penas de prisão, e foram viver para uma espécie de pátria estrangeira – o sítio onde nasceram, mas no qual não se sentem em casa.
Na sexta-feira, 05 de junho, o festival desloca-se para a Plataforma das Artes e da Criatividade onde é apresentada a peça “Orlando”, de Sara Carinhas e Victor Hugo Pontes. De Virginia Woolf, trata-se de uma biografia fábula de um ser que nasce homem e, a meio da sua vida, acorda mulher. No sábado, dia 06, novamente no Centro Cultural Vila Flor, é a vez do Teatro Oficina, companhia da cidade, trazer aos Festivais Gil Vicente a peça de Annie Baker, “Círculo de Transformação em Espelho”, espetáculo que estreou no 31º Festival de Teatro de Almada onde foi aclamado pela imprensa internacional, nomeadamente pelo The Guardian.
A segunda semana do festival prossegue no dia 11, quinta-feira, no palco do Grande Auditório do CCVF, com a peça de Tonan Quito e Pedro Gil, “Fausta”. Este espetáculo nasce do desafio lançado à escritora Patrícia Portela e tem como ponto de partida o seu mais recente romance, “O Banquete”. O público reúne-se para ouvir uma mulher que narra a sua vida depois de morta na voz de dois homens. No dia seguinte, dia 12, a Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade recebe a peça “Oslo - fuck them all and everything will be wonderful”, o segundo projeto de parceria entre o dramaturgo Mickaël de Oliveira e o encenador Nuno M Cardoso. Os Festivais Gil Vicente terminam no dia 13 de junho, no Centro Cultural Vila Flor, com “António e Cleópatra”, uma encenação de Tiago Rodrigues para a Mundo Perfeito.
Como se cria um espetáculo
Todos os espetáculos dos Festivais Gil Vicente têm início às 22 horas. Como tem sido habitual, ao cartaz principal do festival junta-se um conjunto de atividades paralelas que prometem multiplicar as possibilidades de vivência da criação teatral. No dia 04, às 15 horas, na Plataforma das Artes e da Criatividade, está agendada a apresentação do “Atividário Teatro”, do escritor Ricardo Henriques e do ilustrador André Letria. Editado pela Pato Lógico, “Teatro” é o segundo Atividário que Ricardo Henriques e André Letria publicam, depois do premiado “Mar” (2012).
Também no dia 04, após o espetáculo “I Don’t Belong Here”, Dinarte Branco senta-se à conversa com o público para falar sobre o desafio de construir uma peça de teatro com um grupo de “não atores”, ex-criminosos e em profunda e constante revolta com a sua condição de deportados. No sábado, dia 06, às 15 horas, o Teatro Oficina realiza um ensaio aberto do “Círculo de Transformação em Espelho”, uma oportunidade única para estudantes e alunos de artes performativas interessados em conhecer melhor o processo de criação de um espetáculo.
No dia 10, das 19 às 22 horas, a Sala de Ensaios do CCVF acolhe uma masterclasse com Mickaël de Oliveira, intitulada “Escrever para o Palco”, sobre o processo criativo que deu origem à criação “Oslo”, em cocriação com Nuno M Cardoso. A frequência na masterclasse é gratuita, mas pressupõe inscrição prévia que poderá ser efetuada através do formulário disponível no site do CCVF (www.ccvf.pt). No dia 11, após o espetáculo “Fausta”, é a vez de Tonan Quito e Pedro Gil se sentarem com a audiência para conversar sobre o processo de criação da peça previamente apresentada. No dia 13, às 19 horas, o Café Concerto acolhe um debate sobre teatro Contemporâneo: a nova geração, sua formação e locais de apresentação, com a participação de Tiago Porteiro, Marcos Barbosa e Mickaël de Oliveira.
Relação com a UMinho
Este ano, os Festivais Gil Vicente estabelecem uma relação muito direta com o curso de Teatro da Universidade do Minho, através da integração do “Andando II”, uma mostra de trabalhos de Escolas de Arte de Guimarães, com um vasto programa a acontecer entre os dias 30 de maio e 19 de junho, em vários locais da cidade. Um gesto de abertura e encorajamento que expressa bem o quão a cidade está empenhada em abraçar este elo fundamental da vivência artística de Guimarães, os vários cursos de formação artística, nomeadamente os que são oferecidos pela Universidade do Minho.
Os bilhetes para os espetáculos dos Festivais Gil Vicente têm um custo de 7,50 euros / 5 euros com desconto e podem ser adquiridos no Centro Cultural Vila Flor, na Plataforma das Artes e da Criatividade, Lojas Fnac, El Corte Inglés, Worten, entidades aderentes da Bilheteira Online, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bilheteiraonline.pt. Encontra-se também disponível uma assinatura pelo valor de 25 euros, que dá acesso a todo o programa, parque de estacionamento gratuito em dias de espetáculo e ainda uma visita às exposições patentes no Centro Internacional das Artes José de Guimarães.