Guimarães coloca qualidade de vida e sustentabilidade no centro do Encontro Nacional de Limpeza Urbana
Ricardo Araújo defende uma cidade ambientalmente mais exigente, com melhores serviços públicos e maior responsabilidade coletiva, e aponta a Capital Verde Europeia como compromisso permanente com a qualidade de vida.
Guimarães acolheu a 8.ª edição do Encontro Nacional de Limpeza Urbana (ENLU), uma iniciativa da Associação Limpeza Urbana (ALU), realizada em parceria com a Câmara Municipal de Guimarães e integrada na programação de Guimarães 26 – Capital Verde Europeia.
Durante três dias, o encontro reuniu, no MitPenha, autarcas, técnicos municipais, empresas e especialistas para debater os principais desafios da limpeza urbana, da gestão do espaço público e da sustentabilidade dos territórios, num momento de partilha de conhecimento e de reflexão sobre o futuro das cidades.
Na mesa-redonda “[Des]Construir o Futuro”, o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, colocou a qualidade de vida no centro da estratégia ambiental do concelho e defendeu que a evolução dos serviços públicos deve ser acompanhada por uma maior consciência e responsabilização individual. “O que queremos hoje é ver como é que conseguimos dar resposta aos desafios do presente e construir o melhor compromisso destes princípios e destes objetivos”, salientou Ricardo Araújo.
Para o Presidente da Câmara, a qualidade dos serviços públicos e a responsabilidade de cada cidadão não são dimensões opostas, mas complementares. “Não é dicotómica, mas sempre complementar”, sublinhou, defendendo que uma cidade mais limpa, cuidada e sustentável depende simultaneamente da capacidade dos serviços públicos e do comportamento de quem utiliza o espaço comum.
A visão enquadra-se no percurso que Guimarães tem vindo a desenvolver na transformação ambiental do território, através da requalificação de zonas ribeirinhas, da criação e valorização de espaços de lazer, da plantação de árvores e de outras políticas destinadas a melhorar a qualidade ambiental e urbana do concelho.
Ricardo Araújo destacou, contudo, que a transformação mais determinante é aquela que ocorre na própria comunidade. “Além dessa transformação do território, há uma transformação que é mais profunda e mais importante, que é a consciencialização da comunidade e a assunção por parte dos cidadãos de que esta transformação ambiental é fundamental para nós todos que queremos o nosso futuro com qualidade de vida”, sublinhou.
Capital Verde como compromisso com a qualidade de vida
No ano em que Guimarães assume o título de Capital Verde Europeia, Ricardo Araújo reafirmou a ambição do Município de manter o concelho na linha da frente da descarbonização e da neutralidade carbónica, fazendo da sustentabilidade uma dimensão transversal das políticas municipais.
Para o Presidente da Câmara, porém, o reconhecimento europeu só ganha pleno significado se se traduzir numa melhoria efetiva das condições de vida da população.
“Ser Capital Verde Europeia só faz sentido se isto significar sermos uma referência de qualidade de vida na Europa. Porque o ambiente e a sustentabilidade devem ser assumidos dessa forma, de forma a que possam contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, defendeu.
Esta visão esteve também presente no jantar oficial do encontro, realizado na Montanha da Penha, onde Ricardo Araújo voltou a sublinhar que “para nós, sermos Capital Verde Europeia significa essencialmente trabalharmos todos os dias para que o nosso concelho possa ser uma referência de qualidade de vida na Europa”.
A escolha da Montanha da Penha para este momento do programa permitiu ainda dar a conhecer aos participantes um dos mais relevantes patrimónios naturais do concelho e reforçar a ligação entre sustentabilidade, território e valorização dos recursos naturais de Guimarães.
Mais de 40 especialistas debatem futuro das cidades
Com o mote [Des]Construir o Futuro, o 8.º ENLU reuniu mais de 40 oradores nacionais e internacionais e colocou em debate temas como a gestão do espaço público, zonas verdes e parques, fiscalização ambiental, descarbonização, inovação, resíduos, mudança de comportamentos e novas formas de pensar e gerir as cidades.
O encontro permitiu igualmente apresentar projetos e experiências desenvolvidos em Guimarães, nomeadamente através do Laboratório da Paisagem e da Vitrus Ambiente, evidenciando o trabalho realizado nas áreas da sustentabilidade, biodiversidade, gestão de resíduos e valorização do espaço público.
