Guimarães reforça investimento na Educação com nova Carta Educativa e programa de requalificação das escolas
Ricardo Araújo anuncia dotação específica no Orçamento Municipal de 2027 para intervir nas escolas do 1.º ciclo. Município avança também com novo modelo de manutenção do parque escolar e estratégia que integra Educação, Cultura, Artes e Património
O Município de Guimarães vai avançar com uma nova Carta Educativa e preparar um programa de requalificação das escolas do 1.º ciclo, a iniciar em 2027, com uma dotação específica no próximo Orçamento Municipal. Em paralelo, entrou já em fase piloto um novo modelo de manutenção e reparação do parque escolar, envolvendo quatro agrupamentos de escolas.
Os anúncios foram feitos, esta quinta-feira, pelo Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, no Teatro Jordão, durante a apresentação do Plano Municipal das Artes, Cultura e Património nas Escolas de Guimarães, sessão que ficou também marcada pela assinatura de um protocolo de colaboração com o Plano Nacional das Artes.
A intervenção no parque escolar assume-se como uma das prioridades municipais para o próximo ano. As escolas do 1.º ciclo já foram identificadas e hierarquizadas de acordo com as necessidades existentes e o grau de prioridade, permitindo ao Município preparar uma resposta programada e financeiramente sustentada.
“O próximo Orçamento Municipal vai contemplar essa rúbrica, essa dotação específica que vamos iniciar já no início do próximo ano”, afirmou Ricardo Araújo, acrescentando que o montante será definido no âmbito da elaboração global do Orçamento Municipal para 2027.
Esta intervenção estrutural será complementada por um novo modelo de manutenção e reparação das escolas, que iniciou este mês uma fase piloto em quatro agrupamentos, através da empresa municipal Vitrus Ambiente. A experiência permitirá testar uma resposta mais próxima, célere e organizada às necessidades quotidianas dos estabelecimentos de ensino e avaliar o posterior alargamento do modelo a todo o parque escolar.
Nova Carta Educativa para responder aos desafios atuais
A Câmara Municipal de Guimarães está também a preparar uma nova Carta Educativa. O documento atualmente em vigor foi elaborado em 2006 e já não traduz plenamente a realidade demográfica, territorial e educativa do concelho, nem os novos desafios colocados às escolas, às crianças, aos jovens e às famílias.
A nova Carta deverá ser construída com a participação da comunidade educativa e estabelecer uma visão de médio e longo prazo para a Educação no concelho, articulando a escola com o território, o conhecimento, a cultura, a ciência e a inovação.
A Vereadora da Cultura e da Educação, Isabel Ferreira, destacou precisamente essa mudança de abordagem. “Não queremos apenas gerir educação, queremos construir uma política educativa”, afirmou, defendendo uma visão em que Educação, Cultura, Artes, Património e território sejam entendidos de forma integrada.
Esta estratégia procura ultrapassar uma visão da Educação limitada ao espaço físico da escola, valorizando o território como recurso educativo e aproximando os alunos das instituições, dos equipamentos, do património, da cultura e da criação existentes em Guimarães. “Queremos que a escola conheça o território e queremos que o território entre na escola”, sublinhou Isabel Ferreira.
Cultura e criação como parte da formação das novas gerações
É precisamente esse o objetivo do Plano Municipal das Artes, Cultura e Património nas Escolas de Guimarães, apresentado durante a sessão como um instrumento de política pública municipal destinado a estabelecer uma ligação continuada entre as escolas e o ecossistema cultural e patrimonial do concelho.
O princípio orientador é que os alunos não sejam apenas públicos ou espectadores, mas também participantes e criadores, através do contacto direto com artistas, equipamentos culturais, património e diferentes linguagens artísticas.
Todas as escolas de Guimarães integradas no Plano Nacional das Artes
A sessão ficou igualmente marcada pela assinatura do protocolo de colaboração entre o Município de Guimarães e o Plano Nacional das Artes, representado pelo seu Comissário Executivo, Paulo Pires do Vale.
O protocolo formaliza e reforça um trabalho desenvolvido ao longo do último ano e que permitiu alargar significativamente a presença do Plano Nacional das Artes no concelho.
Atualmente, 19 instituições de ensino estão envolvidas no PNA. “Em 2025/26, tínhamos seis agrupamentos de escolas no PNA, mais duas privadas. Hoje, temos 14 agrupamentos, duas escolas não agrupadas e três privadas. Temos todas as escolas envolvidas no PNA”, destacou Isabel Ferreira.
A abrangência alcançada permite que a relação entre Educação e Cultura deixe de depender de iniciativas isoladas e passe a integrar uma estratégia municipal comum a toda a rede educativa do concelho.
Paulo Pires do Vale salientou a importância desta aproximação para ampliar as oportunidades de formação e desenvolvimento dos alunos.
“O papel da escola é o de abrir o horizonte de possibilidades de cada um”, afirmou o Comissário Executivo do Plano Nacional das Artes.
Rodopio leva novas experiências artísticas às escolas
A estratégia municipal ganha ainda uma nova dimensão a partir de 21 de setembro, com a entrada em funcionamento do Rodopio, programa municipal de artes integrado nas Atividades de Enriquecimento Curricular.
O programa chegará a todos os jardins de infância e escolas do 1.º ciclo da rede pública do concelho e cruza artes performativas, artes visuais e artes tradicionais.
O objetivo é diversificar as experiências proporcionadas às crianças, aproximá-las dos artistas e equipamentos culturais do concelho e integrar a criação artística de forma mais consistente no seu percurso educativo.
A sessão, que assinalou o arranque do novo ano letivo, reuniu professores, diretores e coordenadores de agrupamentos escolares, parceiros culturais e institucionais e representantes da comunidade educativa, terminando com um momento musical.
