Guimarães reforça resposta no bem-estar animal com investimento superior a 1,3 milhões de euros no CRO
Novo Centro de Recolha Oficial de Animais duplica a capacidade instalada e cria melhores condições de acolhimento, tratamento e recuperação
O Município de Guimarães inaugurou, este sábado, as obras de requalificação e ampliação do Centro de Recolha Oficial de Animais de Guimarães (CRO), numa intervenção que representa um investimento municipal superior a 1,3 milhões de euros e que permite duplicar a capacidade instalada, reforçando de forma significativa a resposta do concelho na área do bem-estar animal.
A nova infraestrutura dispõe de mais de mil metros quadrados de nova área coberta e passa a poder acolher até 124 cães, a que se juntam cinco parques exteriores, particularmente importantes para animais que não se adaptam às boxes. A intervenção permitiu ainda criar novas enfermarias para cães e gatos, espaços de recobro separados e novas áreas destinadas aos felídeos, com alojamentos dotados de espaços interiores e exteriores.
As novas instalações foram também pensadas para proporcionar melhores condições de funcionamento e de bem-estar, através de melhorias ao nível da ventilação, temperatura e acústica dos espaços.
Na inauguração, o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, destacou a dimensão da intervenção, sublinhando, contudo, que “o verdadeiro valor desta obra não está no número inscrito numa empreitada, está naquilo que esse investimento passa a permitir”.
Para o Presidente da Câmara, o reforço da capacidade do CRO deve ser acompanhado por uma mudança na forma como a comunidade encara a proteção e o bem-estar animal. “Não basta hoje aumentar a capacidade de resposta, não basta hoje aumentar a capacidade de receber mais animais. É preciso saber tratar e, se possível, devolver às famílias e às pessoas que possam cuidar e tratar bem destes animais”, afirmou.
Ricardo Araújo reforçou ainda a necessidade de combater o abandono e de envolver toda a comunidade nesta responsabilidade. “O município faz a sua parte. É importante também que a comunidade, os cidadãos, assumam essa responsabilidade de proteção e tratamento dos animais”, salientou.
A intervenção representa, assim, não apenas um reforço da capacidade física do Município, mas também uma aposta numa resposta mais qualificada ao nível do acolhimento, recuperação e encaminhamento dos animais, procurando criar condições para que o CRO seja cada vez mais uma estrutura de proteção e promoção do bem-estar animal.
A Médica Veterinária Municipal, Guida Vieira e Brito, apontou precisamente para esta mudança de paradigma, defendendo que a inauguração deve marcar “o início de uma nova etapa da nossa comunidade”, com a passagem de uma política municipal centrada apenas no resgate e alojamento para uma política de responsabilidade efetiva pelos animais.
Nesse sentido, destacou que o sucesso da intervenção não deverá ser medido apenas pela capacidade de acolhimento criada, mas também pela capacidade de evitar que os animais permaneçam institucionalizados. “O verdadeiro sucesso desta obra não se medirá pelas boxes que ocupamos, mas sim por aquelas que conseguiremos manter vazias”, afirmou.
A autora do projeto, Cristina Pinheiro, destacou, por sua vez, a importância de concretizar investimentos públicos assentes numa visão de futuro, considerando que Guimarães tem demonstrado capacidade para conjugar “boa arquitetura” com “bons investimentos”, através de uma atuação autárquica orientada por uma visão estratégica.
A ampliação e requalificação do CRO permite, desta forma, melhorar as condições de acolhimento e tratamento dos animais e reforçar a capacidade de resposta municipal, mas também lança um desafio mais amplo à comunidade: o de assumir coletivamente a responsabilidade pela proteção, respeito e bem-estar dos animais.
A nova infraestrutura passa a constituir uma resposta municipal mais preparada para acolher, cuidar e recuperar animais, mas também um instrumento para promover uma cultura de responsabilidade e combater uma das principais causas da sobrelotação dos centros de recolha: o abandono.
