Quatro décadas a preservar sabores, memória e identidade: Panela ao Lume celebra 40 anos em Guimarães
A Confraria Gastronómica Panela ao Lume assinalou, este domingo, em Guimarães, quatro décadas de atividade, num Capítulo comemorativo que reuniu confrades, representantes de outras confrarias e convidados, num programa dedicado à gastronomia enquanto expressão de património, cultura e identidade.
A sessão solene decorreu no Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento e ficou também marcada pela entronização do Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, como Confrade de Honra, juntamente com a entrada de novos confrades.
Na sua intervenção, Ricardo Araújo destacou a importância do percurso da Panela ao Lume na preservação do património gastronómico. “Há quarenta anos, em Guimarães, houve quem percebesse uma coisa antes de quase todos: que aquilo que pomos à mesa também é património”, afirmou.
O Presidente da Câmara destacou a gastronomia como uma dimensão que cruza “identidade, cultura, economia e turismo”, considerando que a valorização dos sabores e produtos locais contribui para afirmar aquilo que torna Guimarães uma cidade singular.
No Dia Mundial do Turismo, que se assinalou este domingo, Ricardo Araújo sublinhou precisamente a importância da gastronomia na experiência de quem visita a cidade. “Queremos que mais pessoas nos visitem. Mas, sobretudo, queremos que fiquem mais tempo e nos levem mais longe”, declarou, defendendo uma experiência turística que permita descobrir não apenas o património monumental, mas também as praças, as freguesias, os restaurantes, os produtores e os sabores de Guimarães.
“É muitas vezes à mesa que um território deixa de ser apenas um lugar visitado e passa a ser uma experiência memorável e recordada”, acrescentou o Presidente da Câmara, numa intervenção que destacou o papel da gastronomia na valorização da identidade local e na capacidade de Guimarães se afirmar enquanto destino turístico.
Para Gonçalo Torgal, Mordomo-Mor da Confraria, a celebração dos 40 anos representa também um momento de orgulho e de reconhecimento por um percurso construído coletivamente. “É um orgulho celebrar estes 40 anos em Guimarães, cidade onde a Panela ao Lume nasceu e onde foi construindo o seu percurso. Um percurso que não começou sozinho, que foi sendo construído por muitas pessoas ao longo destas quatro décadas e que hoje se consolida com o mesmo orgulho, com a mesma vontade de preservar e valorizar aquilo que é nosso”, destacou.
O programa comemorativo prosseguiu com a conversa “40 anos depois, O Passado e o Futuro. A Gastronomia Portuguesa”, moderada pelo Chef Hélio Loureiro, que reuniu o historiador Professor Doutor Luís Reis Torgal, da Universidade de Coimbra, e representantes de várias confrarias.
As comemorações começaram com uma missa, celebrada pelo Bispo Emérito D. Januário Torgal Ferreira, seguindo-se o acolhimento dos participantes na Sociedade Martins Sarmento.
O programa, que teve início na Igreja de S. Domingos, em memória dos confrades já falecidos, terminou com um almoço comemorativo na centenária Casa Florêncio, onde foi servido, entre outros pratos, o tradicional bucho recheado vimaranense. O momento incluiu ainda a oferta à Casa Florêncio de uma serigrafia “Guimarães/Panela ao Lume”, de Zé Penicheiro, e a apresentação do pin comemorativo dos 40 anos da Confraria.
