ASMAV encerra comemorações dos 160 anos com homenagem ao Associativismo e projeto de ópera para os 900 anos da Batalha de S. Mamede
Durante a sessão solene dos 160 anos da Associação de Socorros Mútuos Artística Vimaranense (ASMAV), o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, anunciou a intenção de desenvolver, em parceria com a associação, uma grande produção operática dedicada a D. Afonso Henriques, integrada nas comemorações dos 900 anos da Batalha de S. Mamede, em 2028. O anúncio reforça o reconhecimento do papel cultural e cívico da instituição e a intenção do Município de envolver o movimento associativo na valorização da história de Guimarães.
O Município de Guimarães pretende assinalar as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, em 2028, com um programa comemorativo de dimensão nacional e projeção internacional, que incluirá uma ópera dedicada à figura de D. Afonso Henriques. O anúncio foi feito por Ricardo Araújo no último dia das comemorações dos 160 anos da ASMAV, durante a sessão solene que assinalou a efeméride, este domingo.
"Guimarães prepara-se para celebrar os 900 anos da Batalha de S. Mamede, em 2028, e o Município está muito empenhado em contribuir para a realização de um grande programa de celebração, que não é só local, tem que ser nacional e, se possível, também conquistar projeção internacional", afirmou o autarca, apontando para uma celebração capaz de valorizar a história de Guimarães e projetar a sua relevância para além do território.
Ricardo Araújo associou-se à celebração, que encerrava um programa comemorativo que decorreu entre 9 e 11 de outubro, sob o lema In Arte Fraternitas — "Na arte, a fraternidade". O programa integrou iniciativas culturais e momentos de reflexão em torno da Europa, da igualdade de género, da liberdade e da participação cívica.
O Presidente da Câmara visitou o espaço requalificado da associação, destacando a importância de preservar a memória da cidade e de garantir que instituições históricas como a ASMAV continuam abertas à comunidade e preparadas para acolher novas gerações.
Na sua intervenção, o autarca sublinhou que o percurso da associação se cruza profundamente com a história de Guimarães, desde a missão inicial de entreajuda e proteção dos associados até à participação nas aspirações de progresso do concelho, nomeadamente na defesa da instrução pública, da criação de uma escola industrial e da chegada do caminho de ferro.
"Falar da ASMAV é, por isso, falar também da história de Guimarães. Uma história que não se construiu apenas através das grandes decisões, mas também graças às associações e aos cidadãos que tiveram a iniciativa e a coragem de fazer a diferença", afirmou Ricardo Araújo.
Ricardo Araújo destacou igualmente a capacidade da ASMAV para preservar as suas raízes e acompanhar a evolução da sociedade, alargando a sua intervenção à cultura, à educação e à cidadania. Iniciativas como a Marcha Republicana, o Festival de Canto Lírico, o Torneio de Retórica e o Festival de Política são expressões de uma atividade que promove a liberdade, o pensamento crítico, o debate de ideias e a participação democrática, envolvendo também as novas gerações.
Para ilustrar esta ligação entre a identidade local e uma visão aberta ao mundo, Ricardo Araújo evocou uma frase de Miguel Torga: “O universal é o local sem paredes”. O Presidente da Câmara salientou ainda o papel do movimento associativo na construção do futuro do concelho, defendendo que o desenvolvimento de Guimarães se mede também pela força das suas instituições e pela capacidade de envolver a comunidade.
A cerimónia contou também com a presença de Francisco Teixeira, presidente da ASMAV, e de Rui Armindo Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Guimarães e secretário de Estado.
Na sua intervenção, Francisco Teixeira fez um resumo do percurso da associação desde a sua fundação, salientando a atualidade dos princípios que estiveram na sua origem. "O mundo mudou profundamente desde então, mas a ideia essencial que presidiu à formação da ASMAV permanece atual: a convicção de que uma comunidade se torna mais livre, mais justa e mais solidária quando os seus cidadãos se organizam, cooperam e assumem responsabilidades coletivas", afirmou.
Fundada em 1866, em Guimarães, a ASMAV nasceu com uma missão de entreajuda e proteção dos seus associados, tendo alargado, ao longo de 160 anos, a sua intervenção às áreas da cultura, da educação e da participação cívica. O encerramento das comemorações assinalou, assim, não apenas o legado histórico da associação, mas também a possibilidade de reforçar o seu contributo para o futuro cultural da cidade, nomeadamente no horizonte das comemorações de 2028.
