Estudo sobre a economia de Guimarães define nova estratégia para criar mais valor e melhores salários
Estudo desenvolvido pela Universidade do Minho traça o diagnóstico económico do concelho e passa a constituir a base da estratégia do Município, assente na valorização da indústria, inovação, conhecimento e transição verde
“Passar do Berço da Nação ao Berço da Inovação não é abandonar a nossa história. É acrescentar-lhe futuro.” A frase do Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, sintetiza a orientação que resulta do estudo “A Economia de Guimarães: percurso, estado e destino”, desenvolvido pelos professores Francisco Carballo-Cruz e João Cerejeira, da Universidade do Minho, e que passa a constituir a base da estratégia económica do Município.
Solicitado pela governação municipal e apresentado esta quarta-feira, no Laboratório da Paisagem, durante a conferência “Guimarães: Economia, Competitividade e Transição Verde”, promovida pelo Expresso e pela SIC Notícias, o estudo traça um diagnóstico da economia do concelho e identifica os principais desafios para reforçar a competitividade, aumentar a produtividade, melhorar os salários e transformar conhecimento em valor económico.
Na apresentação, Ricardo Araújo destacou o documento como o cumprimento do compromisso assumido com os Vimaranenses de definir uma estratégia económica para Guimarães. “Não queríamos um retrato. Queríamos um diagnóstico, uma estratégia e um novo caminho de futuro”, salientou.
Um diagnóstico para orientar a estratégia económica
O estudo identifica uma base económica forte, mas evidencia desafios relacionados com a posição das empresas nas cadeias de valor, a produtividade, os níveis salariais e a capacidade de transformar conhecimento científico e tecnológico em produtos, empresas e valor acrescentado.
A indústria transformadora representa cerca de 43% do emprego no concelho e as exportações aproximam-se dos 1,5 mil milhões de euros anuais. Apesar desta forte capacidade exportadora, a produtividade mantém-se abaixo da média nacional e o ganho médio dos trabalhadores vimaranenses corresponde a 82% da média do país.
Outro dos desafios identificados prende-se com aquilo que Ricardo Araújo designou como o “paradoxo do conhecimento”: Guimarães apresenta uma forte capacidade científica e tecnológica, mas ainda existe uma insuficiente conversão desse conhecimento em produtos, empresas, patentes e melhores salários.
“Guimarães não sofre de falta de ativos. Sofre de insuficiente articulação entre eles”, resumiu o Presidente da Câmara.
É a partir deste diagnóstico que o Município pretende passar de uma lógica de iniciativas isoladas para uma estratégia económica com prioridades, instrumentos e capacidade de execução, aproximando empresas, universidades, centros de investigação e restantes agentes do território.
Pacto para a Inovação e futura Agência para o Desenvolvimento Económico
A nova estratégia aposta na sofisticação da indústria e na criação de maior valor nas cadeias produtivas, com oportunidades identificadas em áreas como aeroespacial e defesa, tecnologias médicas, economia circular, dados e inteligência artificial.
Neste âmbito, o Município prepara um Pacto para a Inovação, a desenvolver com a Universidade do Minho, o IPCA e entidades de investigação, procurando estabelecer compromissos, calendário e recursos para uma agenda comum.
Está igualmente prevista a criação de uma Agência para o Desenvolvimento Económico, com a missão de captar investimento externo e apoiar a transformação das empresas instaladas no território. A partir de 1 de outubro, uma nova unidade municipal dará início a este trabalho, constituindo o primeiro passo para a futura Agência.
“Temos uma indústria forte, mas que precisa de subir na cadeia de valor para pagar melhores salários e reter o nosso talento. É esse ciclo que vamos quebrar”, afirmou Ricardo Araújo.
Transição verde como fator de competitividade
A estratégia económica articula-se também com a transição verde, particularmente no ano em que Guimarães assume o título de Capital Verde Europeia.
Neste contexto, foi apresentada a Green Academy, pelo Laboratório da Paisagem, enquanto legado empresarial da Capital Verde Europeia e instrumento de apoio às empresas na transição energética e ambiental.
A iniciativa pretende aproximar competências técnicas e recursos humanos das empresas e responder às exigências crescentes dos mercados internacionais em matéria de sustentabilidade, eficiência e rastreabilidade.
“A transição verde não pode ser um capricho político. Tem de ser um fator de competitividade”, defendeu Ricardo Araújo, acrescentando: “Descarbonizar não pode significar desindustrializar.”
A primeira iniciativa da Green Academy será um Bootcamp dirigido às empresas, com início previsto para 22 de outubro.
A conferência reuniu representantes da academia, empresas e ecossistema científico e tecnológico para discutir “A próxima economia”, colocando em debate os caminhos para uma economia mais competitiva, inovadora e sustentável.
Para Ricardo Araújo, o estudo marca o início de uma nova etapa: “Este estudo é cumprir. O que fizermos com ele, a partir de hoje, é transformar.”
